segunda-feira, 6 de julho de 2015

Entrevista da missionária kelem gaspar para a revista Fazendo Progresso:



Oi Kelem, a paz do Senhor, recentemente você lançou um livro Pakau: o preço, a chamada e a recompensa. Conte para nós como foi para você a experiência de lançar o seu segundo livro e ainda por cima pela conceituada CPAD?
 Escrever esse livro foi , antes de  tudo, uma experiência de fé. Quando senti o desejo de escrever toda a minha trajetória missionária, ainda morava em uma casa de palha em meio a selva paraense. Não tinha nenhuma ideia de como teria recursos para todas as despesas de envolvidas na publicação, mesmo assim, comecei a escrever. Eu sabia que, de alguma maneira, na hora exata, os recursos estariam disponíveis. Eu só precisava obedecer. A fé verdadeira não coloca diante de si uma segunda alternativa para o caso de Deus não operar.  Livro pronto, organizei em capítulos, pedi a uma amiga para corrigir, escrevi os agradecimentos, chamei um amigo para fazer a apresentação e, depois de todos os ajustes, o livro ficou pronto. Só que em um pen drive. Aí foi só esperar. Conheci, em uma conferencia missionária, o dono de uma editora no Ceará e por ela lancei a primeira edição sem precisar pagar nada adiantado. Uma tremenda bênção! Algum tempo depois recebi o honroso convite da CPAD. É isso aí, querido leitor, quando nós começamos, Deus começa também.
 Como é a vida em um campo missionário?
A vida de um verdadeiro missionário no campo  deve ser cheia de amor pelas almas, compromisso com a chamada e fé n'Aquele que o chamou. Quando amamos realmente as almas, nenhum sacrifício é grande demais, certa vez, remei durante dois meses, até a cabeceira de um rio, para pregar o evangelho a uma família que vivia isolada. Perdi vinte quilos. Mas valeu a pena.  Quando temos compromisso com a nossa chamada, somos íntegros e firmes, não cedemos as tentações da carne e não desistimos porque sabemos que breve prestaremos conta.  E quanto a fé, ela é indispensável. O missionário precisa ter a sua fé firmada em Cristo e não em homem ou instituição alguma. 
 Na sua opinião quais são os maiores desafios encontrados na obra missionária?
Pastores que não valorizam a obra pela qual Cristo morreu, irmãos  que veem o missionário como cidadão de segunda classe e igrejas "adormecidas na luz" que não oram por missões, não contribuem com a obra missionária e nem se preocupam em evangelizar.
Estes são representantes de um evangelho sem cruz, sem dor, sem compromisso. Um evangelho muito diferente do Evangelho de Cristo.
 Você considera importante para um missionário aprender a língua nativa do povo que ele pretende evangelizar?
O povo nunca considera como seu, um evangelho que não seja pregado em sua própria língua. Claro que esse aprendizado envolve, muitas vezes, anos e anos de estudo da língua para não se ter o risco de ensinar conceitos eternos de forma errada. Não se pode ter pressa por resultados, o missionário  precisa de tempo não só para aprender a língua como para conhecer profundamente a cultura e investir em sólidos relacionamentos. Tudo isso servirá de base para a pregação satisfatória do Evangelho.
 Você trabalhou nas fronteiras do Brasil e em vários lugares com vários indios, nesses casos acaba se criando um relacionamento pessoal com eles. Há algum campo que você sentiu pesar no coração em deixar?
Um pedaço de mim ficou em cada uma das comunidades nas quais trabalhei. O envolvimento é profundo. O meu tempo era deles, comíamos juntos, trabalhávamos juntos, cultuávamos juntos. Tínhamos uma comunhão verdadeira.  Não os via como inferiores a mim em nenhum aspecto. Então, na hora de partir, doía demais. Mas eu partia porque meu coração já estava em chamas pelo próximo povo a conquistar para Cristo.
 Hoje há muitos irmão e irmãs na Igreja com um desejo no coração de se tornarem missionários. Quais conselhos você pode dar para quem deseja cumprir o IDE do Senhor?
1- Ler a Bíblia toda e meditar diariamente nela.
2- Decorar pelo menos 20 versículos evangelísticos.
3-Orar sinceramente pelos povos não-alcançados.
4-Testemunhar de Jesus constantemente.
5-Corresponder-se com missionários.
6-Estabelecer com firmeza sua hora devocional.
7-Começar a discipular alguém.
8-Ler bons livros missionários.
9-Começar ou completar os estudos formais.
10-Começar um trabalho missionário onde está, não existe nada de mágico na travessia de um oceano que pode torná-lo um missionário.
 Em que ponto você acha que uma pessoa esta pronta para o trabalho missionário?
Quando nada mais lhe basta ou lhe contenta a não ser a concretização de sua chamada. Para o verdadeiro vocacionado, todas as portas podem estar abertas, mas ele só vê uma. E essa única porta que ele vê lhe trará sofrimentos impensáveis e nenhuma garantia de sucesso ou recompensa nessa terra, mas mesmo assim, para ele, é a melhor escolha do mundo.
kelem gaspar.


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