sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Uma reflexão missionária


Se realmente lemos a Bíblia e queremos levá-la a sério, não podemos negligenciar a obra missionária ou tratá-la como uma moderna invenção com propósito único de crescimento da denominação, nem tampouco como mais um departamento da Igreja, cuja responsabilidade recai sobre os ombros de uma pequena equipe.
Missões é uma das principais razões para a existência da Igreja, os povos perdidos jamais conhecerão as grandezas de Deus se não for através da Obra Missionária.
Certa vez, ao ouvir um índio, caído aos pés da cruz, chorando, confessando seus pecados e recebendo a Jesus em seu coração, arrependendo-se de todas as suas maldades e assumindo o compromisso de viver uma vida totalmente livre de violências, maldades e mentiras, lembro-me de ter pensado: nenhum governo faz isso, nenhuma instituição tem esse poder, nada na terra poderia produzir tais resultados. Só Jesus faz isso.
Missões é um projeto arquitetado pelo Criador do universo e não pode ser executado de qualquer maneira. A obra missionária é uma obra excelente e para executá-la é necessário um homem excelente, uma equipe excelente e uma igreja excelente. O missionário pode ter uma personalidade atraente, muitos talentos e qualidades especiais, mas se não for realmente convertido e não tiver intimidade com Deus, os resultados do seu trabalho perecerão.
Antes da entrega ao Deus das missões é necessário o candidato ter em mente que não está assumindo uma tarefa qualquer, para agradar um homem qualquer, sua decisão também, jamais, poderá ser tomada com o coração voltado para as recompensas financeiras ou honras ministeriais. A entrega deve ser feita ao próprio Deus das missões, é quando tomamos a decisão de submetermos nosso corpo, nosso coração e nossa mente ao absoluto senhorio de Cristo para nos dedicar inteiramente ao seu serviço.
Ninguém deve tornar-se missionário por nenhuma outra razão, a não ser essa: o desejo de se dedicar totalmente ao senhorio e ao serviço de Cristo. Não devemos fazer missões por dinheiro, sucesso ou nada que esse mundo possa oferecer, assim nada nos desviará do cumprimento da tarefa. Tudo por Ele e para Ele. É exatamente assim que deve funcionar.
A entrega a missões vai além da entrega à denominação ou ao ministério, vai além do compromisso firmado com o homem, a entrega é ao Cordeiro, então, se todos falharem, se o recurso não vir, se a porta não se abrir, não importa, continua-se fiel a Ele, continua-se compromissado com Ele, leva-se a missão até o fim por amor a Ele.
Foi esse sentimento que me sustentou nos anos que passei vivendo nas densas selvas amazônicas, trabalhando com indígenas e ribeirinhos, longe da família e dos amigos. Às vezes, faltava tudo, não havia recursos, não havia comida, não havia segurança, não havia companhia, mas a certeza estava lá: eu não estava sozinha, meu amado Senhor estava comigo, aquele lugar era o melhor do mundo.
É difícil muitas vezes entender, que o trabalho missionário não é um trabalho glamoroso, ele envolve tarefas e responsabilidades diárias, muitas vezes o esforço é repetitivo e os resultados são poucos e inexpressivos. Por isso muitos missionários estão decepcionados e frustrados em seus campos de trabalho porque se equivocaram quanto a sua real vocação. Foram para o campo missionário almejando coisas grandes e agora tem que se conformar com tarefas simples e rotineiras.
Muitos sonhavam com capas de revistas, entrevistas, programas de rádio e televisão, congregações enormes e uma multidão de congregados, mas... a realidade mostra-se diferente, congregação pequena e problemática, muitas renúncias, pouco conforto, trabalho pesado e resultados que não impressionam a ninguém. Mas, quando a chamada missionária é verdadeira, suporta-se tudo. Cada situação difícil é encarada como uma incrível oportunidade de crescimento pessoal e glória para o nome de Jesus, o sofrimento é vivido com o prazer de um servo que tem a honra de sofrer pelo seu amado Senhor.




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